Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pelo amor de uma filha.

Adorava deixar-te ir, mas não consigo, mas por favor, meu pai, pousa essa garrafa e olha-me nos olhos.

Onze aninhos, com uma mão entre ti e minha mãe, a gritar para prometeres, promessas que nunca cumpriste. Mas quem sou eu, senão uma filha que deitou tudo a perder por ti, pelas mentiras que tecias nas nossas costas.

A família nunca acreditou em nada, eu era a filha de ouro, perfeita. Porquê?
Agora apenas sou uma rapariga que foi forçada a crescer demasiado depressa, uma rapariga quebrada. Eu tento, tento, mas nunca mudarás, nem pelo amor de uma filha.

Já te esqueceste que sou a tua filhinha, como é que pudeste apagar-me assim da tua vida, o teu próprio sangue.

Já sangrei muito por ti, já me magoei demasiado. Não quero voltar a fazê-lo. O meu pulso direito já tem demasiadas cicatrizes. O meu coração já tem demasiadas nódoas negras.
Agora que já acreditam em mim e em como estou doente, em como não estou a mentir, já se preocupam.

Tenho que que admitir, não podes recuperar uma relação que nunca existiu, eu não posso ser manipulada mais vezes, antes até que os teu "amo-te" não soem reais.
Sinto-me sempre de parte quando estou nesse sitio ao qual chamas "casa".

O problema aqui é que eu não consigo deixar-te ir, eu tento lutar mas não vale a pena, nunca vale a pena.

Tão nova quando a dor começou, agora para sempre com medo de ser amada e de amar.
Meu pai.
Por favor meu pai.

Pelo amor de uma filha.


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