Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

terça-feira, 22 de março de 2011

Esfolei-me

Caí, e esfolei-me.
Senti a dor nos meus joelhos, mas as minhas gargalhadas subiram acima de tudo.
Disseste-me, "Estás bem? Magoaste-te?" e eu sorri, "Sim, estou bem.".
E uma lágrima molhou a minha face.
Respondeste com um, "Oh, então ok." e viraste as costas.
Fugiste.
E eu?
Eu fiquei ali, de joelhos esfolados no chão.
A chorar.
A sorrir.
Apenas ali, à espera que voltasses para trás a correr.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Simples. Ana Catarina V R

Sabes, os dias de chuva eterna que não passavam,
Finalmente começaram a dissipar,
O ar aliviou e o sol,
Por entre nuvens,
Espreita tal como uma criança envergonhada em frente a uma estranha sensação.
Chove durante a noite,
Mas apesar de tudo,
É uma chuva linda,
Límpida e fria.
O meu corpo tornou-se quente,
E sentada debaixo de chuva,
Penso.
A simplicidade dos nossos laços é uma coisa que eu não consigo compreender.
A razão e o sentido escapam-me da mão,
Todos os dias sinto-os cada vez mais longe de mim,
Como se um vento forte os levasse.
Gostava de não gostar de ti.
Gostava que houvesse uma parte de ti que eu não gostasse,
Mas não.
Alguém me disse que tudo o que te pertence,
É bom.
Os desentendimentos são parte de quem somos,
E o amanhã não seria o mesmo sem isso.
Muitos anos se passaram,
E não consigo compreender o porquê.
O porquê de "nós".
Mesmo assim,
Existe uma distância que eu não consigo preencher,
Mas tudo faz parte.

Sempre, sempre.

sexta-feira, 4 de março de 2011

E no meio de soluços e desculpas consigo intrevalar um obrigado ou outro, porque para além de te ter magoado e de me ter custado falar, agradeço porque sei que me ouviste do principio ao fim, sem dizeres nada.

Obrigado por me ouvires,

por te zangares,

por me chateares,

por me fazeres rir,

por me fazeres chorar,

por me fazeres gritar,

por me fazeres bater com a porta,

por me fazeres querer abraçar-te,

por me dares beijos de boa noite,

por seres meu pai.

E por isso, no meio de soluços e desculpas consigo ainda dizer, obrigado.

Obrigado.

Obrigado.