Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sorrir

Penso agora em todos aqueles momentos em que me escondi da luz.
Penso em todos os momentos em que fiquei fechada, sozinha em casa, no meu quarto, na minha cama.
E não chorava, não podia ser fraca, tinha a minha família para proteger.
Tinha que ser maior que eu, para ser maior que dor que vocês sentiam.
E maior que a dor me me fazia sofrer a mim.

Penso naqueles momentos em que me perguntavam "Estás bem?", "Porque é que não vieste ontem?".
Odeio esses momentos.

Toda a ajuda que me ofereciam, eu não a queria.
Só pensava "Tenho que ser forte, vocês só me têm a mim".
Um dia vi o meu irmão sorrir outra vez, com aquela alegria de criança que ele tem.
Um dia vi a minha mãe feliz outra vez, a falar, a rir-se, e não a chorar.
Mas continuei a protege-los, e a ser forte para eles.
Penso eu.


Comecei a perceber que eu é que precisava de chorar no ombro de alguém, que eu é que precisava de ser protegida.
E então chorei.
Sozinha, mas chorei.

Comecei a tentar proteger-me do mundo todo, a criar uma barreira entre mim e todos.
Comecei a ficar doente, não fisicamente, mas por dentro.
Já não chorava.

A dor já era tanta que eu já não chorava.

Até um dia, uma certa discussão com uma pessoa que é forte de verdade, ter libertado todos os meus problemas ao mundo, e todas as lágrimas para as nuvens.
Então aí comecei, finalmente, a pedir, não, a gritar por ajuda.

E então comecei a escrever.
Os desenhos eram e sempre serão o meu verdadeiro refúgio, mas as letras deixam-me imaginar histórias que fazem sentido na minha cabeça, que me deixam ser eu própria sem ter medo.


Agora sorrio de novo de verdade, não apenas para esconder a tristeza.

2 comentários:

  1. Amei o texto.
    Nunca te esqueças do quão forte és, tenho um orgulho em ti que nem imaginas. Nao quero ver-te assim nunca mais . Nao mereçes.
    As nossas conversas fazem-me falta, aquelas que ficavamos horas a falar, antes de irmos para casa. Tenho imenso para te contar :)

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