Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Frágil

Esta é a parte que tu mais odeias. As batalhas. As lutas. Ver aqueles que são importantes a sangrar, faces torcidas com dor. Odeias que também tu estejas a magoar alguém. Mas mais que tudo, odeias o sabor do poder. Odeias-te por querer mais e por sentir aquela adrenalina subir a espinha quando derrotas um inimigo. Por esta razão, acreditas que és uma má pessoa. Sabes que és uma má pessoa. Sabes cada vez que te levantas sobre o corpo de um oponente, sabes cada vez que te arrastas de volta a casa, e sabes cada vez que a tua família te vem confortar, porque não és forte o suficiente para lidar com isto sozinho. És alguém mau, e frágil também.

Mas quando eu te vejo, mais uma vez a baixar a cabeça pelas perdas, eu sei que é isso que te faz forte. Porque percebes que magoas alguém com cada vitória, mas continuas a lutar pela tua família na mesma. Por chorares, nós respeitamos-te. Não porque mataste. Pois as tuas lágrimas são umas que caiem de um anjo amaldiçoado a viver na Terra. São inocentes e trágicas. Não porque choras por ti, mas porque choras por todos aqueles que magoaste. E é por isso que eu me mantenho sempre a teu lado com toda a família, prontos para dar a vida, pelo anjo que nos guia. Para proteger aquela chama gentil no entanto forte que queima no teu coração. Porque és, na realidade, alguém bom.

1 comentário:

  1. Releio este texto neste segundo dia de Outono e continuo a achar que o paradoxo continua evidente mas controlado… nota-se que a autora domina o perigo da espiral de palavras evitando que a gravidade se torne incontrolável (the downward spiral).
    O sujeito, ou melhor, de quem se fala, pode a meu ver ser tanto singular como plural. E é neste ponto de vista que a crueza destas palavras se torna bela delineando este “apontamento” como um recorte da condição humana.

    Adoro-te filha!

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