Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

domingo, 27 de junho de 2010

Forte (Sempre)

Sempre andei sozinha, quando olhava para trás, toda a gente estava tão distante,
No entanto, continuei a andar, essa era a minha força.
Já não tenho medo de mais nada, sussurro para mim mesma,
Um dia, as pessoas estarão sós e viverão apenas em memórias.
Então, para até eu poder amar e sorrir à solidão, lutarei.
Não mostrarei as minhas lágrimas.

Sempre andei sozinha, um abismo esperava-me no fim,
No entanto, continuei a andar para provar a minha força.
Um vento forte sopra contra mim, a minha camisola cola-se ao meu corpo com o suor,
Se eu acabar por conseguir esquecer algum dia, então viver será simples.
Se eu cair no esquecimento, isso é fugir, certo?
Até o significado de viver irá desaparecer, certo?

O vento depressa acalmou, o meu suor secou, também,
Senti fome, aconteceu alguma coisa, hm?
Um cheiro agradável chegou com vozes entusiasmadas.

Sempre andei sozinha, toda a gente estava à minha espera.

Um dia, as pessoas estarão sós e viverão apenas em memórias.
Ainda assim, não faz mal, eu chamarei aos meus sentimentos "amigos".
Um dia, vou esquecer os dias que passei com todos e viverei noutro lugar,
Então, não serei forte nunca mais.
Chorarei com a fraqueza de uma rapariga comum.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Oceano

Deixa toda a água que me rodeia, afogar-te também, neste oceano de luzes, que me pertence, é apenas meu...
Salva todo o oxigénio que puderes, pois nestas águas profundas de cor, se enfraqueceres, nem que seja por um momento, desaparecerás no tornado que é a escuridão.
Tenta, então, nadar até à superfície do meu coração e, deixa-me sentir todo o teu peso nos meus ombros.
Deixa-me chorar toda a escuridão, até a luz apenas fabricar sorrisos e as cores, os sonhos por que todos desejamos.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Calma

Fecho a porta de casa,
Sente-se no ar o som do camião do lixo que regressa agora à estrada.
Sente-se a brisa fresca da manhã na face.
Os estores começam a subir,
Os carros a encher as ruas, agora movimentadas com os atrasos de torrada na boca e gravata mal posta.
Respiro fundo,
E sinto um alívio que não sentia à muito.
Um peso dos meus ombros que se vai levantando aos poucos.
Com calma, mas vai lá chegar.