Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Encontrei-a


Existe uma coisa neste mundo que nunca ninguém viu antes.
É suave e doce.
Talvez se pudesse ser vista, toda a gente lutaria por isso.
É por isso que nunca ninguém a viu.
O mundo escondeu-a para que ninguém lhe pudesse tocar facilmente.
Mas, um dia, alguém irá encontrá-la.
A pessoa que mais a merece vai encontrá-la.
O que significa isso para ti?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pulseira


Sabes, acho que nunca pensei em estar separada de ti...

A vida segue sempre em frente, mesmo que eu permaneça parada.
A pulseira que me deste já desapareceu à muito no horizonte.

Sempre achei que a minha vida deixaria de ter sentido...

As luzes e os sons perseguem-me.
A lua chama-me para junto dela.

Não sei se sentes o mesmo ou não...

Não consigo evitar as lágrimas que me vêm aos olhos.
Fecho os olhos e sorrio, não tenho arrependimentos.

Só sei que o meu amor por ti é mais forte que toda a vontade...

Dou um passo em frente, sinto o vento passar por mim.
Despeço-me deste dia e deixo-te seguir em frente.

Por favor aceita este sacrifício que eu faço por ti...

Solta-se a carta da minha mão gelada.
Apenas me sinto a voar entre a água gelada e a lua ardente.

Nunca te esqueças, amo-te, agora e sempre...

Penso que esse era o teu desejo...

Amo-te...

Diário


Tenho um diário cheio de segredos,
Imensas confissões,
Tremendas desilusões.
Sonhos e pesadelos.
Tenho pastas, caixas, prateleiras, armazéns
De memórias guardadas.
Nestas páginas em branco,
Onde derramei lágrimas,
Onde soltei risos,
Onde sonhei.
Tenho um diário em branco,
Que me diz mais que todos
Os outros livros da minha vida.
O meu diário.


Apenas


Estou farta de lutar,
Estou farta de ser corajosa,
Estou farta de sorrir.
Apenas quero chorar, e
Deixar as lágrimas correrem-me pela face.
Sentar-me debaixo do chuveiro,
E chorar.
Chorar,
Misturar lágrimas com água.
Deixar a água cair no meu corpo,
Deixar que a água leve os meus pensamentos,
Os meus problemas,
Para bem longe.
Quero encostar-me na janela da cozinha,
E olhar para o céu.
Olhar para o céu, e
Ver as estrelas.
Sentir o aquecedor na minha pele,
Enquanto penso numa vida feliz.
Quero adormecer.
E sonhar outra vez.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sono profundo de Inverno


Volta sempre a mim
Eu lembro-me desta dor
Espalha-se nos meus olhos
É tudo tão aborrecido.

Toda a gente sorri,
Eles sorriem.

Empurram-me para longe, tão longe
Não percebo
É tudo azul.

Consegues ouvir-me?

Agora abraça-me,
Por favor abraça-me
O meu coração gelado
Contemplo da distância
Sinto tudo a passar por mim
Não posso estar sozinha agora.

Estou perdida num sono profundo de Inverno
Parece que não consigo encontrar a saída sozinha
Podes acordar-me?

Eu sei que quando o deixar entrar
Ele esconde o amor deste momento
Por isso guardo-o, e
Observo todos os movimentos que faz.

Desejava saber como é que eu
Podia faze-lo desaparecer,
Faze-lo desaparecer.

Alguém que me oiça...

Leva-me para o teu mundo por agora
Não consigo estar só.

Por favor faz com que desapareça
Será que me vou sentir eu mesma outra vez?
Eu desejo...

domingo, 14 de fevereiro de 2010


Espero um dia poder levantar voo,
Não apenas olhar para o céu.
Voar e continuar a sonhar.
Sou apenas uma rã num poço.
Uma rã que em vez de aprender a nadar
Para um dia chegar ao oceano,
Viveu sempre a olhar e a sonhar com o céu.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Fugi


Sem chorar.
Sem tremer.
Tal como o vento,
Fugi.
Fugi da mentira,
Da tristeza.
Corri sem destino,
Gritei sem voz.
"Será que sentes agora?"
Fugi.
Levei comigo o meu amor por ti.
Levei comigo todas as lágrimas.
As luzes.
As vozes.
Atormentam-me.
Sinto uma mão pousar-se no meu ombro.
Sinto este calor,
Tão adorado.
Voltei-me e apenas vi nada.
Nada,
No meio de vozes e pessoas e luzes,
Eu vi nada.
Acho que nesse momento sorri,
Pois percebi que afinal o meu amor por ti,
Não era tão grande assim.

Lágrimas negras


Desejo esta noite que o amanhã nunca venha,
Inúmeros sonhos e paixões e perdas,
Eu choro e choro e choro,
Como se fosse derrotada pela chuva.
Não me mostres, não assim.
Perciso de algo para viver,
Se não acreditar em mim, em que é que acretitarei?
A resposta está tão próxima,
Eu nem a consigo ver.
Derramo lágrimas negras,
Não sou nada.
Arrependimento,
Sem poder dizer uma palavra,
A dor cresce dentro de mim,
Eu não consigo aguentar isto sozinha.
Chorei a meio da noite,
Criei uma face que não é a minha,
Que esconde as minhas fraquezas.
Vou parar de sorrir...
Não me mostres.
Será a coisa mais dificil do mundo,
Continuar a viver?
Se vier de ti,
Então não faz mal que seja intocável.
Não quero coisas que se possam partir nunca mais.
Derramo lágrimas negras, choro.
O amanhã vem com uma face que eu não conheço.
Um golpe desta mesma dor outra vez,
Se tiver que continuar assim,
Todos os dias,
Então eu quero desaparecer para sempre,
Para longe.
Sei que é egoista, mas...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Melodia


Lembras-te,
Daquela música que ficava bem com o brilho do pôr-do-sol?
Ficavas sempre silêncioso
E cantavas-la para ti.
Agora o tempo passa
E essa melodia está marcada em sépia.
Nunca poderemos voltar atrás
Pareces mais distante que todos os outros.
Estivemos sempre a fugir
Eu adorava esse brilho nos teus olhos.
Quando é que nos separamos?
Nos dias em que fixavamos o nosso olhar
E interlaçavamos os dedos,
Eu sentia o tempo parar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Voltarei


Atravesso um caminho sem fronteiras,
Através de um céu azul.
O sol que me brilha na face,
Reflecte-se nos teus olhos.
A erva dança ao sabor do vento,
As flores cantam melodias de primavera.
Encontro-te, nesta nuvem sozinha,
No infinito céu azul.
Os teus cabelos,
Os teus olhos,
Os teus lábios,
As tuas mãos.
Tão perfeito.
Acho que se pode dizer que sou uma vitima,
Desta doença chamada "amor".
Neste momento apenas desejava parar.
E sonhar.
Desejava nunca acordar,
Nunca me levantar.
Se apenas o meu caminho fosse esse,
Esse caminho tão solene.
Mas acredito que esta ilusão,
Vai deixar de me enganar.
E voltarei a este caminho,
Agora cinzento,
Céu chuvoso e triste.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Humana


Quero ver,
Quero ouvir,
Quero cheirar,
Quero provar,
Quero sentir,
Quero viver.

Quero sorrir,
Preciso estar triste,
Quero rir,
Preciso chorar.

Quero falar,
Quero murmurar,
Preciso gritar,
Quero encontrar,
Quero amar,
Preciso ódiar.

Quero mexer-me,
Quero saltar,
Preciso tropeçar,
Quero andar,
Quero correr,
Quero ganhar,
Preciso falhar.

Quero ajudar,
Preciso alcançar,
Quero proteger,
Preciso estimar.

Preciso ver,
Preciso ouvir,
Preciso cheirar,
Preciso provar,
Preciso sentir,
Preciso viver.

Eu quero. Eu preciso. Quero viver a minha vida. Preciso viver a minha vida. Para mim são todos iguais. A minha vida é minha e apenas minha. Não a vou desperdiçar. Não a vou ódiar. Não a vou deixar passar. Vou viver até ao fim.

O mundo é tão grande, tão vasto, tão diferente, mas existe apenas um "eu". Um "eu" em centenas de cidades, milhões de casas, biliões de pessoas, vidas intermináveis.

Tão pequena, tão minúscula, tão insignificante, mas não inútil.
"Porque é que nasci? Porque é que vivo? Porquê eu?"
Para saber, para aprender, para ver.
"Porque é que sou humana? Porque é que sou priviligiada?"
Para saber, para aprender, para ver.
"Porque é que sinto dor? Porque é que sou feliz enquanto os outros sofrem? Porquê?"
Para saber, para aprender, para ver.

É um privilégio existir conscientemente. Sou apenas 1/132000000000000000000000 de todo o mundo... Eu podia ser uma pilha de lixo, um balde de água, uma simples rocha. Mas eu vivo, e sou humana. Tenho uma oportunidade. Tenho uma hipótese. Posso exprimentar o mundo. Posso preceber os segredos do mundo. Posso sentir felicidade.

A sociedade humana ideal. Não é preciso preocuparmos-nos em sermos comidos, não é preciso preocuparmos-nos em sermos pisados. É a base duma sociedade tão diversa. Porque é que as pessoas têm tempo para marcar outros objectivos em vez de "O que é que eu vou comer hoje". Porque é que as pessoas podem realizá-los. Porque é que as pessoas podem aprender. Porque é que as pessoas têm opiniões. Porque é que as pessoas podem ser atenciosas. Porque é que as pessoas podem ser ouvidas. Porque é que as pessoas podem desejar. Porque é que as pessoas podem viver.

Em mim, eu quero experienciar tudo que existe na vida. Tudo. Só conheço uma vida como sendo eu. Eu não tenho a certeza do que acontece antes ou depois da minha vida. Eu não conheço o meu próprio fim. Eu não sei o que era antes do meu princípio. Eu não sei por isso não me posso apoiar nisso. Eu tenho visto seres viver. Eu tenho visto seres morrer. Eu nunca terei visto "seres" depois de morrerem. Mas eu não compreendo a morte, e não posso compreender não existir. Eu nunca vou dedicar a minha vida a nada. Eu não posso perceber por esta razão, eu quero viver. Eu quero algo que consiga alcançar, agarrar, sentir. Eu quero tudo. Então eu nunca poderei realmente dedicar a minha vida a um único objectivo.

Sou ganânciosa,
Sou ingénua,
Sou egoista,
Sou descuidada,
Sou miserável,
Sou conceituada,
Sou ignorante,
Sou irrealista,
Mas estou viva.

É um privilégio para mim conhecer toda a gente. Eu já o fiz e farei, não interessa que eles sejam. É um privilégio para mim ser vista por ou ver alguém, não interessa quem eles sejam. É um privilégio para alguma coisa minha poder alcançar alguém, não interessa o que seja ou quem seja. Palavras. Arte. Vozes. Sentimentos. Pensamentos. Sons. Emoções.

Existiência.


Preciso ver,
Preciso ouvir,
Preciso cheirar,
Preciso provar,
Preciso sentir,
Eu quero viver a minha vida.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nesta memória


Neste ano,
O impossível aconteceu.
Neste mês,
O destino escolheu.
Neste dia,
O mundo parou.
Nesta hora,
Tudo se desmoronou.
Neste minuto,
Existe um único pensamento.
Neste segundo,
Existe um único batimento.
Nesta memória,
A saudade.
Nesta campa,
A liberdade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Dor


O que é a dor?
Já sei que quando me magoo me dói,
Mas que dor é esta,
Que eu sinto tão forte no coração?


Esperei


Toda a vida esperei.
Esperei.
Pelo momento certo.
Para te dizer que lâmpada do meu coração,
Fundiu.
Fundiu, nunca mais acendeu.
Esperei.
Pelo dia.
Para te dizer que a chama da minha alma,
Apagou.
Apagou, a chuva levou-a.
Esperei.
Pela hora.
Para te dizer que as nuvens do meu pensamento,
Desapareceram.
Desapareceram, o sol tapou-as.
Esperei.
Espero.
Pelo minuto.
Pelo segundo.
Em que te direi,
Chorei,
Sorri,
Vivi,
Morri.
Morri, por ti.
Pelos segundos,
Que me levaste.
Pelos minutos,
Que me beijaste.
Pelas horas,
Que me abraçaste.
Pelos dias,
Que me ocupaste.
Pelos momentos,
Que me amaste.

Folha em branco


As palavras soltam-se-me da mão,
A tinta salpica o papel.
As palavras descobertas,
Entendidas entre duas páginas de um livro.
As palavras ainda por descobrir,
Navegam num mar de pensamentos,
Numa folha em branco.