Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Paragem de autocarros


Ruas caladas.
Lâmpadas a piscar.
Uma paragem de autocarros,
Abandonada.
Frio.
Gelo.
Respiração pesada.
Um casaco quente.
Um cachecol de algodão.
Um bloco.
Um lápis.
Dois pontos brilham,
Ao luar.
Um carro.
Passa a correr.
Uma janela.
Estores abertos.
Uma família.
Janta feliz.
Uma felicidade há muito perdida.
Já não sei o que é ser feliz.
A minha mão treme,
Mas não pára de rabiscar.
Os desenhos.
As letras.
Ditam o meu destino em carvão.
Esfrego as mãos uma na outra.
É um reflexo,
Há muito decorado.
As noites correm.
Os dias demoram.
O frio.
O gelo.
O bloco.
O lápis.
Algo me diz que vou sair outra vez.

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