Discurso Directo.

"O céu agora está completamente escuro, a luz do sol morreu e nem tenho a lua para o espelhar. Afinal, içar âncora deste sonho não é partir para construir outra realidade, é apenas regressar"

~Pai

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Aprisionada


Desculpa não ter sorrido,
Quando te conheci.
Desculpa não te ter abraçado,
Quando choravas.
Desculpa não te ter protegido,
Quando tremias,
Desculpa não ter chorado,
Quando desapareceste.
Desculpa ter vivido,
A minha vida aprisionada.
Ao passado.
Ao futuro.
Sem nunca pensar em ti.

Acredita

Estou aqui, bem perto de ti,
Chama-me, eu estou aqui.
Confia em mim, não há nada a temer.
Nós estamos ligados por,
Acredita, um fio invisível,
Então, sente o meu calor ao teu lado.
Eu posso ouvir a voz do teu coração,
Não preciso de me preocupar.
Não importa o que dizes, não estás sozinho,
Este amor vai ser sempre verdadeiro.
Não hesites em chorar e confiar em mim,
Eu decidi há muito tempo que vou aceitar todos os teus segredos.
Estou aqui, onde quer que estejas,
Chama-me, vamos estar juntos.
Confia em mim, estes sentimentos por ti nunca vão mudar.
Basta pousar,
Confia em mim, aquelas coisas que carregas.
Eu existo para ti.

O sol nasce no horizonte


O pôr do sol traiçoeiro limpa as gotas de suor desagradável.
A cidade ruge como se cantasse uma canção.
Deves recolher os cacos de um amor quebrado.
O sol nasce no horizonte.
Pode-se vê-lo no espaço entre os edifícios.
Enquanto acreditares nele agora,
O amanhã não será completamente inútil.
O sol nasce no horizonte.
Entrando na escuridão
Enquanto tiveres a oportunidade de sentir isso,
Vais ver o teu sonho tornar-se realidade.
Há certamente algo que só nós podemos ver.
Algo de valor que ninguém nos pode tirar.
O sol nasce no horizonte.
É a linha que separa a terra do céu
Enquanto acreditares nele agora,
As coisas vão ter tanto significado como esta luz.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Um só


Num sítio mais profundo que a gentileza,
O nosso toque é apenas dor.
Por favor liga-nos aos dois.
Verdadeiras palavras estão de certeza,
Algures no mundo real,
À espreita,
Na nossa noite sem palavras.
De certeza,
Mesmo agora.
Conhecendo-nos para conhecer a solidão,
Não saberemos até partilharmos um beijo.
Ainda assim, estou a tremer com a felicidade,
De te ter conhecido.
Por favor apoia o meu coração.
Não sonharemos mais,
Não podemos fugir para um sítio quente.
Vamos de certeza ultrapassar ,
O cruel amanhecer.
O silêncio abandonado,
Vai de certeza encontrar.
As palavras verdadeiras,
De maneira a magoar-mos-nos apaixonadamente.
Um dia de certeza.
Mesmo que me abraces até ser sufocante,
Nunca vamos ser um só.
O frio começa antes do amanhecer,
Por favor ilumina,
O caminho que serve apenas para nós dois.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Tudo. Nada.


Finalmente vi.
Olhei e vi.
A verdadeira beleza deste mundo.
Deste mundo,
Triste e feio.
Deste mundo bonito e feio.
Vi as cores deste mundo cinzento.
Deste mundo colorido.
Olhei e vi.
Vi-te a ti.
Vi-vos a todos.
Vi a minha vida.
Reflectida nos teus,
Vossos olhos.
Vi o reflexo,
Do reflexo do teu olhar,
Espelhado no meu.
Vi o infinito,
Que era o tudo e o nada.
O infinito sem estradas,
Sem caminhos,
Por onde caminhar.
Vi uma vida nova,
Nascer.
Vi uma vida antiga,
Morrer.
Vi o tudo e o nada.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Obrigado


Os gritos.
As lágrimas.
As discussões.
As promessas.
As mentiras.
Os pesadelos.
São levados, por ti,
Para um lugar distante,
Para um lugar longe daqui.
Contigo eu consigo respirar.
Contigo eu abri os olhos,
Para a vida que me rodeia.
Vi toda a gente que me suporta,
Que me apoia,
Que me salvou.
Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.
Obrigado.
Teria de dizer "Obrigado" até morrer,
Para te agradecer,
Para te compensar.
Finalmente a minha vida começou.

(Dedico este texto a toda a gente que me apoiou, que esteve cá para mim nos momentos mais difíceis. Muito obrigado...)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Espaços


ÁsVezesOsEspaçosEstãolá,TuÉQueNãoOsVês...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Paragem de autocarros


Ruas caladas.
Lâmpadas a piscar.
Uma paragem de autocarros,
Abandonada.
Frio.
Gelo.
Respiração pesada.
Um casaco quente.
Um cachecol de algodão.
Um bloco.
Um lápis.
Dois pontos brilham,
Ao luar.
Um carro.
Passa a correr.
Uma janela.
Estores abertos.
Uma família.
Janta feliz.
Uma felicidade há muito perdida.
Já não sei o que é ser feliz.
A minha mão treme,
Mas não pára de rabiscar.
Os desenhos.
As letras.
Ditam o meu destino em carvão.
Esfrego as mãos uma na outra.
É um reflexo,
Há muito decorado.
As noites correm.
Os dias demoram.
O frio.
O gelo.
O bloco.
O lápis.
Algo me diz que vou sair outra vez.

Um mundo


Na minha cabeça,
Um mundo,
Numa folha de papel,
Uma história,
Num sonho,
Um desejo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sonho


Mantêm-te acordado.
A dedicação dura uma vida inteira,
Mas os sonhos só duram uma noite.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Ouvi dizer


A cidade está deserta 
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte 
Nas casas, nos carros,  
Nas pontes, nas ruas... 
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura 
Ora amarga, ora doce 
Para nos lembrar que o amor é uma doença 
Quando nele julgamos ver a nossa cura
~Ornatos Violeta

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Duas palavras


"Amo-te"
Duas palavras tão usadas,
Que já não têm significado.
Eu quero continuar a dizer,
"Amo-te".
Até as gastar mais,
Até ficarem sem significado,
Até deixar de ter voz,
Até fechar os olhos,
Até dormir.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Talvez um dia verás


Poderá a dor magoar mais que o dia em que te foste embora?
Terão todas as minhas palavras, não ter significado nesse dia?
Se eu simplesmente desistir, deixar-te ir,
Serei eu nunca capaz de viver com o medo?
Eu nunca te deixarei ir, aconteca o que acontecer,
Mesmo quando os meus olhos se fecharem finalmente,
A tua imagem atravessa o meu pensamento,
Talvez um dia verás...
Toda a dor que causaste.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O princípio do fim


Fogo.
A minha mansão arde.
Os meus pais dentro dela,
Queimam.
Um grito solta-se,
Da minha garganta sem voz.
Um braço agarra-me.
Uma voz assusta-me.
As minhas pálpebras fecham.
Escuridão.
Os meus olhos abrem-se.
Máscaras cor de pérola,
Aproximam-se.
Tento fugir, mas estou presa.
Sorrisos maléficos.
Um ferro quente,
Com um desenho que me irá assombrar para sempre.
A chapa queima a minha pele.
Deixaram em mim uma marca.
Uma cela.
A solidão assombra-me.
Peço ajuda com toda a minha força.
Um demónio.
Um contracto.
Sem hesitação,
Vendo-lhe a minha alma,
Em troca de protecção.
"MATA-OS A TODOS!"
Um sorriso satisfeito.
Segundos.
Sangue.
O princípio do fim.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O meu espelho


Reflexo.
Um espelho que reflecte as máscaras.
Um espelho que vê um sorriso.
Um espelho que não vê.
A mágoa, a dor, a tristeza.
Do meu coração.
Sorrisos.
Rodeiam-me sorrisos.
Um sorriso sobe-me aos lábios.
Todas as pessoas de cristal,
Vêm-se por dentro:
Os sentimentos são puros.
Eu, uma pessoa de ferro,
Só com fogo poderei mostrar o quanto o meu coração dói,
O quanto a minha alma magoa.
As pessoas fortes são sempre as mais frágeis,
Mais afectadas.
Um dia vou perder os sorrisos que me salvaram,
Da tentação de me deixar ir,
Completamente,
Pela escuridão.
Um dia vou ficar verdadeiramente só.
Um dia vou chorar todas as lágrimas,
Trancadas dentro de mim.
Um dia vou cair do abismo que me chama.
Um dia vou finalmente encontrar-te a ti e murmurar palavras de amor.
Um dia saberei quem és.
Quando o meu sonho terminar,
Ir-te-ei abraçar.
E,
Morrer.
Então ai o meu espelho,
Irá reflectir,
A minha alma,
Verdadeiramente feliz.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010


Só.
Ignoro os amigos, a familia.
Para os proteger.
Para não os manchar,
Com a dor,
Com o sangue,
Do meu coração.
Morte.
Cemitério de segundos.
Camas partidas.
Janelas abertas,
Portas fechadas.
No fim de contas,
Ao fim do dia,
Só nos temos a nós próprios.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Girassóis


Esta história é uma ainda em progresso.
Mesmo que não tenha ainda lá chegado,
A partir de agora vou saltar mais alto.
De aqui a mil anos vou chegar ao céu.
Desde o inicio,
Vamos chegar ao céu com mil girassóis,
E distribuir as suas sementes.
Não.
Se isso acontecer,
Não podemos ver as flores.
Precisamos de ouvir ou isto vai-se tornar uma emergência.
Rimos-nos.
Como amigas,
Rimos-nos.
Gentilmente abraçadas e acariciadas pelo vento,
Nós dançamos juntas como girassóis.
Olhamos na direcção dos girassóis,
O sol nos nossos olhos era brilhante.
Esticamos-nos bem alto,
O nosso único desejo era para que o sol
Brilhasse nas nossas faces.
Entregando este desejo ao céu,
O que fizemos vai ficar sempre aqui?
Não haverá nada para entregar?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Vida

Quando estou aborrecida em casa,
Quando não atendes o telefone,
Quando estou presa ao segundo lugar,
Não posso apagar estes arrependimentos.
Só eu posso mudar o fim,
Do filme da minha vida.
Não há tempo para a miséria,
Não vou sentir pena de mim mesma.
Sei que existe uma razão.
Estou viva.
Entre o mau e o bom,
É onde me encontras
À procura do céu,
Vou lutar.
E vou dormir quando morrer,
Vou viver a minha vida.
Porque sei que estou viva.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Arde


Arde, este coração apaixonado,
E atravessa centenas de sonhos.
Corre o que desejares,
Apanha o mundo com as tuas mãos.
As nuvens viajam,
E o sol põe-se outra vez.
Duas vidas envolvem-se no céu nocturno.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Falta-me tempo


Falta-me tempo para olhar.
Olhar com olhos de ver.
Falta-me tempo para chorar.
Chorar todas as lágrimas.
Falta-me tempo para amar.
Amar quem me ama a mim.
Falta-me tempo.
Mais um dia.
Mais um ano.
As experiências vividas até agora.
Os momentos gravados na memória.
A dor trancada no coração.
As amizades travadas.
Um dia em tantos.
Talvez hoje.
Talvez amanhã.
Porque não?

Conto


Raio de luz.
Janela entreaberta.
Pálpebras pesadas,
Devagar se abrem.
O dia já tomou posse da noite.
Respiração fria.
Um dia gelado.
Luvas de algodão.
Cachecol de lã.
Livros de histórias repetem-se.
Histórias com um final feliz.
Histórias coloridas.
Num conto sem cor.
Num conto de arrependimento.
Um conto mal contado.
Dias gelados.
Uma alma quente
Derrete
Corações gelados.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Chuva



Chuva.
A chuva é limpída, não mente.
Um mundo cinzento de bonecos sem alma.
Duas vidas paradas no tempo, num mundo que não pára.
Chuva.
Chuva rispida.
Chuva fria.
Um coração bate.
Forte.
Morno.
O relógio de bolso conta.
Horas paradas.
Minutos de silêncio.
Segundos de dor.
"Mata-me".
O silêncio quebra-se.
"Não posso mais viver assim".
O silêncio volta a reinar.
Olhos azuis.
Sem vida.
Outrora felizes.
"Por favor".
Sons.
Cheiros.
Uma atmosfera de medo.
"Amo-te".
Lágrimas de sangue.
Memórias.
Felicidade.
Tristeza.
Ódio.
Arrependimento.
Raiva.
Murmúrios de amor.
Um último relance.
"Obrigado"
Um sorriso.
Uma lágrima.
Segundos.
Minutos.
Horas.
O relógio de bolso.
Rachado.
Conta agora os dias.
De alguém que foi feliz.